segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

São homens e rezam. Apenas entre homens




São homens e rezam. Apenas entre homens 

Há homens que se reúnem para rezar o terço no masculino, sem mulheres, que acusam de “controlar tudo” na igreja

Começam a aproximar-se da porta da igreja do Seixal às nove da noite fria e molhada.

Cumprimentam quem encontram pelo caminho e ficam à espera. Quando a porta do santuário se abre, entram. Dirigem-se para o primeiro banco, olhos postos no altar. São três homens e o padre. Em silêncio, tiram os terços dos bolsos, baixam a cabeça e começam a rezar. Durante quase 40 minutos, ajoelhados, repetem: “Ave Maria...”

Há dois anos que um grupo de 12 homens se junta uma vez por mês na igreja da zona antiga para rezar o terço. Deixam para trás a família e os jogos de futebol para tentar replicar em Portugal um movimento de oração no masculino que surgiu no Brasil, onde são milhares os homens que rezam apenas entre homens.

“Numa pesquisa na internet encontrei o Movimento do Terço dos Homens, no Brasil, e pensei que poderia ser uma ótima ideia para Portugal”, explica Nuno Capucha, um dos impulsionadores. Técnico tributário, 44 anos, conta a história habitual de alguém que se afastou da religião na adolescência e regressou, adulto, para as missas de domingo, mas que precisava de algo mais. Mas porquê rezar apenas entre homens? “Porque as mulheres tomam a liderança de tudo o que diz respeito à vida das igrejas e os homens ficam para trás.”


Terço com sotaque

Em julho, o jornal brasileiro “O Globo” fez manchete com uma fotografia de milhares de homens a rezar de terço nas mãos. A reportagem contava que à noite, acabada a missa, as mulheres saíam da igreja e os lugares eram ocupados por homens. Três mil terão lotado um templo na zona norte do Rio de Janeiro. A cerimónia foi transmitida em direto pela internet. O movimento ganhou força na última década e está a ser exportado para a Bolívia, Paraguai e EUA.

O artigo não conta que a onda de oração no masculino terá começado pela mão de dois padres portugueses: Miguel Lencastre e José Pontes encontraram nas igrejas vazias do nordeste do Brasil uma oportunidade para atrair homens, acostumados a ficar do lado de fora. Quem explica é António Ruivo, ligado ao santuário de Schoenstatt, em Lisboa, que ouviu o relato diretamente de um dos sacerdotes. Portugal, contudo, está muito longe desta dimensão. A pesquisa do Expresso descobriu apenas os grupos do Seixal e de Schoenstatt e mesmo o Patriarcado, quando questionado, não os conhecia. Há procissões, como a da Farinheira, em Mação, em que só participam homens, mas que não funcionam com esta regularidade.

Desde 2014 que os participantes do grupo do Seixal tentam conquistar mais adeptos, mas não é fácil. Criaram uma página no Facebook e colaram um cartaz no átrio da igreja. Apostaram sobretudo na divulgação boca a boca, mas o movimento não cresceu. Os que participam, contudo, dizem-se fiéis. Pedro Inês, 35 anos, desempregado, só falta às reuniões quando tem de ficar com o filho de ano e meio porque a mulher, que trabalha por turnos, não consegue. Valentim Queirós, reformado, 71 anos, 12 netos e dois bisnetos, diz que participa porque “é bom estar entre homens” e que “rezar em grupo tem outra força”, embora o terço faça parte da sua rotina diária, mesmo que solitária. Rafael Santos, funcionário público, 30 anos, outro dos fundadores do movimento na margem sul, defende que o objetivo é “rezar de forma pragmática, pelas intenções de cada um, porque a vida é uma batalha diária e o terço é uma arma que dá força”. O simbolismo masculino é evidente nos discursos, como quando Nuno Capucha confessa ser “devoto de São Nuno de Santa Maria, génio militar impulsionado pela fé”.

Enquanto fala tem nas mãos o terço de madeira oficial do movimento brasileiro, lembrança que trouxe do santuário de Aparecida para todos os membros do grupo.

Tiago Pacheco da Silva é pároco do Seixal há um ano. Quando chegou, encontrou o movimento e nunca pensou em fechar as portas a estes homens. Quando pode, participa, e quando não é possível “eles entram, rezam sozinhos e vão à vida deles”. Compreende a necessidade de homens rezarem entre homens porque “o terço está associado a uma oração de mulheres idosas e, além disso, as senhoras dominam todos os momentos da igreja e, desta forma, eles têm um método e tempo próprios”.


Orar sem o terço

O frio é o mesmo, o resto é distinto. Às mesmas 21h frias de uma noite de dezembro, outros homens começam a chegar. Desta vez, o local é o santuário de Schoenstatt, no Restelo. Também se atrasam. Também chegam aos poucos, um de cada vez. Este grupo é formado por seis homens, um está doente e não pode comparecer.

O Ramo dos Homens de Schoenstatt — movimento de renovação católica de génese masculina que surgiu em 1914 na Alemanha — chegou a ter quatro “grupos de vida”. Formados há cinco anos, atualmente, só dois núcleos funcionam regularmente. No total, são 15 homens que se encontram a cada quinze dias e decidem, de forma autónoma, que método querem imprimir às reuniões. “Somos um movimento de leigos e o padres são os nossos assessores, não mandam”, explica Paulo Galvão, psicólogo que trabalha como coach e é o coordenador do Ramo dos Homens.

Desafiados a explicar o motivo de se reunirem apenas entre homens, concordam que “homens e mulheres têm características próprias e, quando se juntam, estas evidenciam-se”. Dizem ainda que “também as interpretações dos textos são distintas”. Pedro Mendonça é o “chefe” daquele grupo de homens casados, com mais de 50 anos. Assumiu a responsabilidade em outubro e vai ser líder durante um ano litúrgico (até outubro de 2017). Engenheiro industrial, conta que foi “educado no amor à Igreja, em frente ao presépio” e que vê nesta prática “a possibilidade de desenvolver o papel de pioneiro e educador dos homens”.

Para o teólogo e sacerdote Anselmo Borges, o surgimento de movimentos de leigos é positivo. “Jesus era leigo e a Igreja é, antes de mais, o povo de Deus”. Segundo o religioso, “povo, em grego, diz-se laós, de onde vem a palavra leigo” e “é excelente que haja leigos que se reúnem em grupos e associações para rezar em conjunto, meditar e prestar serviços”. Avisa, contudo, para dois perigos: “O surgimento de algum elitismo ou a redução a um devocionismo intimista, esquecendo a caridade cristã.”

Também a teóloga Teresa Toldy alerta que “em geral, estes movimentos de espiritualização passam ao lado de questões fraturantes da Igreja”, como a discussão do papel da mulher na instituição e a sua ordenação. E sublinha que haver grupos só de mulheres para debater textos litúrgicos não é o mesmo porque “eles sempre tiveram voz na hierarquia, enquanto elas reúnem-se para ter espaço de expressão da sua fé, sem reproduzir o discurso masculino”.

Daniel Simões, 58 anos, é economista. Tinha deixado de ir à missa, mas numa peregrinação a Fátima aproximou-se do movimento e gostou do que viu porque não havia “muita beatice”.
Agora é dele a missão de organizar o Encontro Internacional dos Homens de Schoenstatt, em maio do próximo ano, em Aveiro e Fátima. José Cid é engenheiro informático e tem 65 anos. Começou a frequentar o santuário do Restelo trazido pela mão do filho e, hoje, toda a família participa. Não tem dúvidas de que a leitura no masculino “é mais focada” e sublinha que “o chavão da igualdade de género não se coloca em Schoenstatt, onde todos são iguais diante de Deus”. Os 66 anos do engenheiro agrónomo Pedro Castro e Costa fazem-no explicar que “não há um rezar no masculino e outro no feminino porque a prédica é a mesma, a expressão é que é diferente”, mas também que “os homens reforçam a oração quando a fazem em conjunto”.

Desde que surgiu, os homens de Schoenstatt tentam rezar o terço no masculino. Falharam sempre. Reconhecem que “o modelo de Portugal não tem de ser o do Brasil”, por isso dedicam-se a estudar textos litúrgicos. “Estamos numa fase embrionária, com tudo por fazer”, dizem. E se uma mulher quiser participar? “É o que está a acontecer”, responde Pedro Mendonça. Acabada a reunião, saem todos da sala e juntam-se em frente à porta, já fechada, do santuário. É quase meia-noite, ligam o telemóvel e rezam. Sem mulheres. Mas entregam-se a uma mulher, a mãe de Jesus.


domingo, 6 de novembro de 2016

Estreia em Portugal o filme “Agnus Dei – as inocentes”






filme francês ‘Agnus Dei - as inocentes’, da realizadora Anne Fontaine, que retrata o sofrimento de religiosas católicas violadas por soldados soviéticos durante a II Guerra Mundial, vai estrear esta quinta-feira, em Portugal.
A estreia foi no dia 3 de novembro, quinta-feira, em todo o país.
Baseado numa história verídica, o filme cruza a história de um convento na Polónia, em 1945, e de uma médica da Cruz Vermelha francesa, Mathilde, que prestar auxílio aos sobreviventes, encontrando religiosas grávidas.
O filme vai estar em exibição nas seguintes salas: Amoreiras - Lisboa; Dolce Vita Porto; Oeiras Park; El Corte Inglês - Lisboa; UCI Arrábida 20 - Porto; Cinema da Villa - Cascais.

domingo, 16 de outubro de 2016

18-10 - 18.15 - Recitação do terço pela unidade e paz - UM MILHÃO DE CRIANÇAS REZAM O TERÇO



A Paroquia do Seixal junta-se a esta iniciativa da Ajuda à Igreja que Sofre,   pelas 18.15, convida-se todas as crianças e a comunidade a rezar o terço por esta intenção

Acreditando profundamente no poder da oração, a Fundação AIS volta a convocar, este ano, as crianças portuguesas para se juntarem a esta grande iniciativa em que se pretende despertar consciências, mobilizar boas vontades e dar um sinal inequívoco de que contra a força das armas há sempre o poder da fé.
No próximo dia 18 de Outubro, todos os 22 secretariados internacionais da Fundação AIS vão procurar mobilizar as crianças de todo o mundo para que esta Jornada de Oração chegue a cada vez mais pessoas e consciências.

Esta iniciativa - inspirada nas palavras do Santo Padre Pio, de que “o mundo mudará” quando “um milhão de crianças rezar o Rosário” - tem adquirido uma expressão cada vez mais significativa de ano para ano.

Agora, que estamos a viver o Ano da Misericórdia, todos os cristãos são convidados a este momento de oração, mobilizando as crianças onde quer que elas se encontrarem, seja nas escolas, infantários, hospitais, orfanatos, paróquias, movimentos… ou, claro, nas suas próprias casas, em família.

Todos somos chamados a participar nesta Jornada de Oração pela paz, que pretende também ser um desafio aos que insistem em fazer a guerra ignorando as lágrimas e o choro de tantos inocentes.

Para a participação activa das escolas ou grupos de catequese, a Fundação AIS disponibiliza gratuitamente folheto com a oração do terço para entregar a cada uma das crianças.


sábado, 17 de setembro de 2016

Testemunho JMJ 2016 – Seixal


13932800_10208911707262896_7560789965787259955_n

Acreditámos desde o primeiro momento que eramos chamados a responder ao pedido do próprio Jesus, que nos convidava por meio do querido papa Francisco a participar nas Jornadas Mundiais da Juventude, este ano em Cracóvia. Aqueles de nós que já tinham tido oportunidade de ir a outra JMJ, sabiam a importância de contagiar nos restantes a vontade e a decisão de participar. E foram muitos «sins». Do Seixal, quase 30, incluindo o nosso paróco! E de muitos grupos diferentes: grupo de jovens Caminho de Vida, grupo de jovens Harami, grupo de jovens ABBA, elementos da IIIª e IVª secção do nosso agrupamento de escuteiros 253, e ainda jovens cujo caminho, presença e serviço vai sendo desempenhado de outras formas na vida da comunidade paroquial. Tantos «sins» constituem um número exigente, na preparação material e espiritual a caminho do encontro com dois milhões de outros jovens católicos. Levámos connosco os restantes jovens, famílias, doentes, e todos os paroquianos, que se confiaram à nossa oração.

Pisar o solo da Polónia ao longo daqueles dez dias foi uma experiência humana intensa, um caminho de fé desafiante, um encontro demorado e frutífero com o Amor de Deus. Nos dias que antecederam as Jornadas, fomos conhecendo e visitando a história do povo polaco, que tanto sofreu ao longo dos séculos, perseguido e martirizado – mas que sempre encontrou na Misericórdia (o tema destas Jornadas, tão apropriado!) uma forma de seguir em frente, confiando em Jesus; e em Nossa Senhora, Mãe de Misericórdia, que no santuário de Czestochowa nos embalou como filhos.

Chegados a Cracóvia, encontrámo-nos enfim com a Igreja Viva, a Igreja Jovem; e somos tantos! Cada um no seu país, cada um na sua cidade, na sua paróquia – em cada lugar onde pertencemos, experimentamos este Amor, esta fé que nos une. Uma experiência de Alegria e de festa, em que dançámos com pessoas de todas as culturas, cantando a plenos pulmões, cada um na sua língua e por vezes todos juntos. Uma experiência de Fé e de Esperança, em que nos momentos de celebração eucarística, ou na via sacra, ou na vigília de oração, impera o silêncio no meio da multidão. Em que outro lugar, em que outra festa, podemos encontrar um silêncio tão profundo e tão fértil?

As Jornadas Mundiais da Juventude em Cracóvia foram uma oportunidade muito bela de encontro com Jesus Cristo; por meio da oração pessoal, dos momentos de oração comunitária, na Eucaristia diária, no encontro com tantos jovens que também partilham a mesma fé! Também foram belos os momentos de partilha com aqueles que nos foram mais próximos, o grupo da nossa paróquia e da nossa diocese. Regressámos cheios das bênçãos de Deus, e com uma grande vontade de sermos rosto de Jesus nas nossas casas, na nossa paróquia, na escola, na universidade, no trabalho! Nas periferias, onde haja necessidade! O papa Francisco assim nos pedia: que saltássemos do sofá, calçássemos as botas, e saíssemos de casa ao encontro dos irmãos!

O Amor de Deus não ficou para trás, em Cracóvia; trouxemo-Lo connosco. Resta-nos agradecer-Lhe a Sua bondade infinita; também agradecemos à Pastoral da Juventude, que nos conduziu durante aqueles dias, e a todos quantos nos acolheram, aos que rezaram por nós, aos que permitiram que pudéssemos estar unidos de forma tão particular à Igreja durante aqueles dias. Obrigado, em polaco: «Dziekuje!». Estamos ansiosos por partilhar esta certeza, esta fé que nos exige uma resposta; ansiosos por ver nascer os frutos deste milagre que foi podermos mergulhar na misericórdia do Senhor; ansiosos por, sem medo, Lhe abrirmos as portas do nosso coração e, com Jesus, amarmos como Ele ama. Glória a Deus!