domingo, 22 de março de 2015

quinta-feira, 19 de março de 2015

Homilia da Solenidade de S. José


Homilia da Solenidade de S. José

19 de Março de 2015 – Missa 21.30

Ano Pastoral dedicado a São José

Celebramos a solenidade de São José, esposo da Virgem Maria e patrono da Igreja Universal. S. João Paulo II a 17 de Março de 2002 afirma que «A grande discrição com que S. José desempenhou a função que Deus lhe encomendou faz ressaltar ainda mais a sua fé, que consistiu em colocar-se sempre na escuta do Senhor, compreendendo a Sua Vontade, para a cumprir com todo o seu coração e com todas suas forças. Por isso o evangelho define-o como o homem justo (Mt1.9). Com efeito, o justo José é uma pessoa que reza, vive da fé e procura fazer o bem em todas as circunstâncias concretas da vida. A fé sustentada pela oração, este é o tesouro mais precioso que S. José nos transmite. Quantos pais com vidas simples e de trabalho, imprimiram na alma dos seus filhos o valor inestimável da fé, sem a qual qualquer outro bem corre o risco de ser em vão.» Rezamos hoje de forma especial por todos os pais para que descubram em S. José um modelo de fé e possam crescer na fé com os seus filhos. Rezamos por todos os que são chamados a exercer a paternidade espiritual, de forma especial o nosso Papa Francisco no dia em que se celebra dois anos de inicio do seu pontificado sobre a guarda de S. José. Entrega expressa não só nesse dia há dois anos mas ao longo destes dois anos das mais variadas formas, como por exemplo a alteração litúrgica com a introdução da invocação de S. José em todas as orações eucarísticas em todas as celebrações da Santa Missa.

Analisando a natureza do matrimónio de José com Maria nota-se que inclui todos os elementos do verdadeiro matrimónio, tais como os descrevem S. Agostinho e S. Tomás de Aquino: "união indivisível dos ânimos", "união dos corações" e "consenso".

No início do Novo Testamento, como já sucedera no princípio do Antigo Testamento, há um casal, formado por José e Maria, que constitui o vértice do qual se expande a santidade de vida.

Atribui-se a S. Jerónimo o texto que diz: " a ruína no mundo foi provocada por quatro causas: por um homem, por uma mulher, por uma árvore, por uma serpente. A sua restauração foi produzida por quatro favores que correspondem aos anteriores, a saber, por Cristo, por Maria, pela Cruz e pelo esposo José.".

A sua paternidade expressou-se concretamente em ter feito da sua vida um serviço, um sacrifício, ao mistério da Encarnação e à missão redentora com o mesmo inseparavelmente ligada; em ter usado da autoridade legal, que lhe competia em relação à Sagrada Família, para lhe fazer o dom total de si mesmo, da sua vida e do seu trabalho; e em ter convertido a sua vocação humana para o amor familiar na sobre-humana oblação de si. Cedo seu coração e todas as capacidades foram expressadas no amor que empregou ao serviço do Messias germinando na sua casa.

A Liturgia, ao recordar que foram confiados "à solícita guarda de São José, na aurora dos novos tempos, os mistérios da salvação", esclarece também que ele " foi constituído por Deus chefe da Sagrada Família, para que, como servo fiel e prudente, guardasse com paterna solicitude o Seu Filho unigénito". O Papa Leão XIII realça a sublimidade desta missão: " Entre todos, Ele impõe-se pela sua sublime dignidade, dado que, por disposição divina, foi guardião e, na opinião dos homens, pai do Filho de Deus. Daí se seguia, portanto, que o Verbo de Deus fosse submisso a José, lhe obedecesse e lhe prestasse aquela honra e aquela reverência que os filhos devem aos próprios pais". Estamos em crer que tem a sua continuação no céu.

São José fala mais que com palavras com a eloquência da sua vida, dos seus gestos. Podemos e devemos olhar para a figura de José sempre à luz da sua relação com a Virgem Santíssima e Jesus Cristo, o Verbo Encarnado. No primeiro Anuncio angélico a José, na viagem a Belém, no Nascimento de Jesus, na Apresentação no templo, na Epifania (Magos), na Fuga para Egipto, no Regresso do Egipto, no longo tempo da Infância de Jesus e por fim no Transito e Glorificação de S. José, encontramos nele um servo fiel e prudente, uma testemunha autêntica e um auxilio privilegiado. O Glorioso Patriarca S. José contínua actuante na terra desde a glória do céu. O cerca de quarenta testemunhos que já me foram entregues, sobre a amizade com S. José, que já chegaram para o livro «São José guarda-nos em Cristo», em louvor a Deus por S. José, demonstram esta sua presença no meio de nós e pelo nosso país. Aquele que na última aparição em Fátima a 13 de Outubro de 1917, apareceu com o Menino Jesus ao colo que abençoava o mundo, nos abençoa.

Mas numa paróquia consagrada a Nossa Senhora, numa paróquia como a nossa em que são já tantos os consagrados a Jesus pelas mãos da Virgem Santíssima, segundo o caminho proposto por S. Luis Maria de Monfort, cujo aniversario da sua morte celebraremos em 2016 (300anos).Gostava de meditar um pouco convosco na figura de São José como patrono dos escravos de Jesus e Maria.

Que santo encarna melhor a figura da pessoa consagrada ao serviço de Jesus e Maria por amor, que são José?

Quem melhor cumpriu do que ele (S. José) as exigências da escravidão de amor, consagração total, consciente e voluntária às pessoas de Jesus e Maria?

O anjo pediu-lhe a colaboração com a obra da salvação, a sua vida ficou marcada e ligada espiritual e humanamente para sempre à vida de sua esposa Maria e à de Jesus. Toda a vida de José se desenrola de uma forma análoga como se desenrola a vida de sua esposa. As vicissitudes de sua vida, estão condicionadas pelas de sua esposa, em ultima instância pelas da vida do Filho de Deus feito homem. Tudo isto constituiu um ensinamento do Papa João Paulo II na sua exortação apostólica sobre o "Guarda do Redentor" (1989). Em que estabelece a profunda analogia que existe entre a Anunciação do texto de Mateus e a do texto de Lucas. Diz o Papa: "O mensageiro divino introduz José no mistério da maternidade de Maria. " O serviço da paternidade cria uma relação que coloca José mais perto possível de Cristo, proximidade que é finalidade de qualquer vocação e eleição. Este privilégio passa através do matrimónio com Maria, pelo que o filho de Maria é também filho de José, mediante o vínculo matrimonial que os une. Diria que S. José se faz servidor de Maria e assim servidor de Jesus. Na sua humildade e obediência à Vontade de Deus que se realiza através da Virgem Santíssima, o castíssimo José é modelo e ajuda para o mesmo amor que queremos imitar através da total consagração a Jesus por Maria, na Santa escravidão de amor. Com José e como José, dizemos «tudo o que tenho e que sou é vosso ó Maria» com a certeza de ser penhor seguro de ser de Jesus.

Na solenidade de S. José esposo da Virgem Maria no mesmo mês em que celebramos os quinhentos anos de nascimento de Santa Teresa de Jesus uma das maiores devotas do glorioso patriarca São José que na lista dos santos de sua devoção, encontrada no seu breviário, contava trinta e quatro santos(e não estava completa) mas entre eles havia um especial: São José. A razão não era só por ser o primeiro na lista, mas por razão das suas vivências espirituais. Afirma santa Teresa: "Gostaria de persuadir a todos que fossem devotos deste glorioso santo pela experiência que tenho dos bens que alcanço de Deus." Assim o afirmo também eu hoje como S.Teresa, já não porque o ouvi de outros mas porque eu próprio tenho feito a experiencia disto mesmo na minha vida.

Segundo ela (S. Teresa) nos conta que procurava celebrar a festa de são José com toda a solenidade que podia. Missa solenizada, toque festivo dos sinos, passadeira de flores e nuvens perfumadas de incenso e mirra. É dia de oásis na passagem do deserto quaresmal, é dia de recuperar forças para seguir caminho rumo à Páscoa, com o Glorioso S. José a caminhar à nossa frente. É dia de festa, aqui expressa no Glória e Credo, nos paramentos brancos do século XVIII, nas flores, na passadeira vermelha, no toque festivo dos sinos, nos cânticos (especialmente neste novo cântico em honra de S. José composto pelo nosso maestro), acima de tudo no louvor que o nosso coração quer ter para com Deus em honra de S. José.

"Tomei por advogado e Senhor ao glorioso São José, encomendei-me muito a ele. Vi claramente que tanto desta necessidade como de outras maiores de honra e perda de alma, este pai e senhor meu me tirou com maior bem o que eu sabia pedir. Não me recordo até agora de lhe ter suplicado coisa que tenha deixado de fazer. E coisa de espantar as grandes mercês que Deus me tem feito por meio deste bem-aventurado santo e dos perigos que me tem livrado, tanto no corpo como na alma. A outros santos, parece ter dado Senhor graça para socorrer numa necessidade; deste glorioso Santo tenho experiência que socorre em todas. O senhor nos quer dar a entender que assim como lhe foi sujeito na terra - como tinha nome de pai, embora sendo aio, O podia mandar - assim no céu faz tudo o quando lhe pede. Isto, têm visto por experiência algumas outras pessoas a quem eu dizia para se encomendarem a ele. E assim há muitas que lhe são devotas, experimentado, de novo esta verdade. (...) Só peço por amor de Deus que faça a prova quem não me acreditar e verá por experiência o grande bem que é o encomendar-se a este glorioso patriarca e ter-lhe devoção. É que não sei como se pode pensar na rainha dos anjos - no tempo em que passou com o menino Jesus - sem que se dê graças a S. José pelo muito que então nos ajudou."


Diante de Jesus Sacramentado durante este dia, especialmente esta manha, agradecia a Deus por tantas bênçãos na vida de cada um de nós e da nossa comunidade paroquial. Mas a certa altura simplesmente rezava «Obrigado Jesus por S. José», assim fui repetindo, assim fui agradecendo a Jesus que depois me levou a rezar «Obrigado S. José por Jesus». Como Jesus fica feliz que amemos e honremos os seus pais, José e Maria, que nos são dados também por pais. Obrigado amado S. José por nos levares a Jesus e Maria, por nos guardares em Cristo como guardaste o próprio Cristo, fazendo-te guarda da Santa Igreja, guarda de cada um de nós. Por isso agradecemos nesta Santíssima Eucaristia do dia de S. José no ano a ele dedicado na nossa paróquia sob o lema «S. José guarda-nos em Cristo».

domingo, 15 de março de 2015

domingo, 8 de março de 2015

4ª Sessão - 10/03/2015 "Com Arte e com Alma. Serões com o nosso Património"


'Com Arte e com Alma. Serões com o nosso Património'
Ciclo de conferências/conversas 


QUARTA CONFERÊNCIA/CONVERSA 
10 de março de 2015 (3ªf) 
 Igreja de Nossa Senhora da Conceição, Seixal 
Largo da Igreja, 2840-480 Seixal
21h00-22h30 
Entrada livre

 ORADORES 

Anísio Franco 
(Investigador, licenciado e mestre em história da arte, conservador das coleções de escultura e vidros do Museu Nacional de Arte Antiga) 
‘As imagens ou esculturas e a devoção em contexto de Quaresma. A propósito de um Calvário (século XVIII) existente na Igreja de Nossa Senhora da Conceição do Seixal’ 

Ana Cristina Silva 
(Licenciada em história da arte e em ciências religiosas, mestre na área da arte e religião) 
‘Apontamentos sobre o historial da Igreja de Nossa Senhora da Conceição e a paróquia do Seixal’ 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Mensagem do Papa Francisco para a Qauresma de 2015


 Fortalecei os vossos corações (Tg 5, 8)








Amados irmãos e irmãs,

Tempo de renovação para a Igreja, para as comunidades e para cada um dos fiéis, a Quaresma é sobretudo um «tempo favorável» de graça (cf. 2 Cor 6, 2). Deus nada nos pede, que antes não no-lo tenha dado: «Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro» (1 Jo 4, 19). Ele não nos olha com indiferença; pelo contrário, tem a peito cada um de nós, conhece-nos pelo nome, cuida de nós e vai à nossa procura, quando O deixamos. Interessa-Se por cada um de nós; o seu amor impede-Lhe de ficar indiferente perante aquilo que nos acontece. Coisa diversa se passa connosco! Quando estamos bem e comodamente instalados, esquecemo-nos certamente dos outros (isto, Deus Pai nunca o faz!), não nos interessam os seus problemas, nem as tribulações e injustiças que sofrem; e, assim, o nosso coração cai na indiferença: encontrando-me relativamente bem e confortável, esqueço-me dos que não estão bem! Hoje, esta atitude egoísta de indiferença atingiu uma dimensão mundial tal que podemos falar de uma globalização da indiferença. Trata-se de um mal-estar que temos obrigação, como cristãos, de enfrentar.

Quando o povo de Deus se converte ao seu amor, encontra resposta para as questões que a história continuamente nos coloca. E um dos desafios mais urgentes, sobre o qual me quero deter nesta Mensagem, é o da globalização da indiferença.

Dado que a indiferença para com o próximo e para com Deus é uma tentação real também para nós, cristãos, temos necessidade de ouvir, em cada Quaresma, o brado dos profetas que levantam a voz para nos despertar.

A Deus não Lhe é indiferente o mundo, mas ama-o até ao ponto de entregar o seu Filho pela salvação de todo o homem. Na encarnação, na vida terrena, na morte e ressurreição do Filho de Deus, abre-se definitivamente a porta entre Deus e o homem, entre o Céu e a terra. E a Igreja é como a mão que mantém aberta esta porta, por meio da proclamação da Palavra, da celebração dos Sacramentos, do testemunho da fé que se torna eficaz pelo amor (cf. Gl 5, 6). O mundo, porém, tende a fechar-se em si mesmo e a fechar a referida porta através da qual Deus entra no mundo e o mundo n'Ele. Sendo assim, a mão, que é a Igreja, não deve jamais surpreender-se, se se vir rejeitada, esmagada e ferida.

Por isso, o povo de Deus tem necessidade de renovação, para não cair na indiferença nem se fechar em si mesmo. Tendo em vista esta renovação, gostaria de vos propor três textos para a vossa meditação.

1. «Se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros» (1 Cor 12, 26): A Igreja.
Com o seu ensinamento e sobretudo com o seu testemunho, a Igreja oferece-nos o amor de Deus, que rompe esta reclusão mortal em nós mesmos que é a indiferença. Mas, só se pode testemunhar algo que antes experimentámos. O cristão é aquele que permite a Deus revesti-lo da sua bondade e misericórdia, revesti-lo de Cristo para se tornar, como Ele, servo de Deus e dos homens. Bem no-lo recorda a liturgia de Quinta-feira Santa com o rito do lava-pés. Pedro não queria que Jesus lhe lavasse os pés, mas depois compreendeu que Jesus não pretendia apenas exemplificar como devemos lavar os pés uns aos outros; este serviço, só o pode fazer quem, primeiro, se deixou lavar os pés por Cristo. Só essa pessoa «tem a haver com Ele» (cf. Jo 13, 8), podendo assim servir o homem.

A Quaresma é um tempo propício para nos deixarmos servir por Cristo e, deste modo, tornarmo-nos como Ele. Verifica-se isto quando ouvimos a Palavra de Deus e recebemos os sacramentos, nomeadamente a Eucaristia. Nesta, tornamo-nos naquilo que recebemos: o corpo de Cristo. Neste corpo, não encontra lugar a tal indiferença que, com tanta frequência, parece apoderar-se dos nossos corações; porque, quem é de Cristo, pertence a um único corpo e, n'Ele, um não olha com indiferença o outro. «Assim, se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros; se um membro é honrado, todos os membros participam da sua alegria» (1 Cor 12, 26).

A Igreja é communio sanctorum, não só porque, nela, tomam parte os Santos mas também porque é comunhão de coisas santas: o amor de Deus, que nos foi revelado em Cristo, e todos os seus dons; e, entre estes, há que incluir também a resposta de quantos se deixam alcançar por tal amor. Nesta comunhão dos Santos e nesta participação nas coisas santas, aquilo que cada um possui, não o reserva só para si, mas tudo é para todos. E, dado que estamos interligados em Deus, podemos fazer algo mesmo pelos que estão longe, por aqueles que não poderíamos jamais, com as nossas simples forças, alcançar: rezamos com eles e por eles a Deus, para que todos nos abramos à sua obra de salvação.

2. «Onde está o teu irmão?» (Gn 4, 9): As paróquias e as comunidades
Tudo o que se disse a propósito da Igreja universal é necessário agora traduzi-lo na vida das paróquias e comunidades. Nestas realidades eclesiais, consegue-se porventura experimentar que fazemos parte de um único corpo? Um corpo que, simultaneamente, recebe e partilha aquilo que Deus nos quer dar? Um corpo que conhece e cuida dos seus membros mais frágeis, pobres e pequeninos? Ou refugiamo-nos num amor universal pronto a comprometer-se lá longe no mundo, mas que esquece o Lázaro sentado à sua porta fechada (cf. Lc 16, 19-31)?
Para receber e fazer frutificar plenamente aquilo que Deus nos dá, deve-se ultrapassar as fronteiras da Igreja visível em duas direcções.

Em primeiro lugar, unindo-nos à Igreja do Céu na oração. Quando a Igreja terrena reza, instaura-se reciprocamente uma comunhão de serviços e bens que chega até à presença de Deus. Juntamente com os Santos, que encontraram a sua plenitude em Deus, fazemos parte daquela comunhão onde a indiferença é vencida pelo amor. A Igreja do Céu não é triunfante, porque deixou para trás as tribulações do mundo e usufrui sozinha do gozo eterno; antes pelo contrário, pois aos Santos é concedido já contemplar e rejubilar com o facto de terem vencido definitivamente a indiferença, a dureza de coração e o ódio, graças à morte e ressurreição de Jesus. E, enquanto esta vitória do amor não impregnar todo o mundo, os Santos caminham connosco, que ainda somos peregrinos. Convicta de que a alegria no Céu pela vitória do amor crucificado não é plena enquanto houver, na terra, um só homem que sofra e gema, escrevia Santa Teresa de Lisieux, doutora da Igreja: «Muito espero não ficar inactiva no Céu; o meu desejo é continuar a trabalhar pela Igreja e pelas almas» (Carta 254, de 14 de Julho de 1897).

Também nós participamos dos méritos e da alegria dos Santos e eles tomam parte na nossa luta e no nosso desejo de paz e reconciliação. Para nós, a sua alegria pela vitória de Cristo ressuscitado é origem de força para superar tantas formas de indiferença e dureza de coração.

Em segundo lugar, cada comunidade cristã é chamada a atravessar o limiar que a põe em relação com a sociedade circundante, com os pobres e com os incrédulos. A Igreja é, por sua natureza, missionária, não fechada em si mesma, mas enviada a todos os homens.

Esta missão é o paciente testemunho d'Aquele que quer conduzir ao Pai toda a realidade e todo o homem. A missão é aquilo que o amor não pode calar. A Igreja segue Jesus Cristo pela estrada que a conduz a cada homem, até aos confins da terra (cf. Act 1, 8). Assim podemos ver, no nosso próximo, o irmão e a irmã pelos quais Cristo morreu e ressuscitou. Tudo aquilo que recebemos, recebemo-lo também para eles. E, vice-versa, tudo o que estes irmãos possuem é um dom para a Igreja e para a humanidade inteira.

Amados irmãos e irmãs, como desejo que os lugares onde a Igreja se manifesta, particularmente as nossas paróquias e as nossas comunidades, se tornem ilhas de misericórdia no meio do mar da indiferença!

3. «Fortalecei os vossos corações» (Tg 5, 8): Cada um dos fiéis
Também como indivíduos temos a tentação da indiferença. Estamos saturados de notícias e imagens impressionantes que nos relatam o sofrimento humano, sentindo ao mesmo tempo toda a nossa incapacidade de intervir. Que fazer para não nos deixarmos absorver por esta espiral de terror e impotência?

Em primeiro lugar, podemos rezar na comunhão da Igreja terrena e celeste. Não subestimemos a força da oração de muitos! A iniciativa 24 horas para o Senhor, que espero se celebre em toda a Igreja – mesmo a nível diocesano – nos dias 13 e 14 de Março, pretende dar expressão a esta necessidade da oração.

Em segundo lugar, podemos levar ajuda, com gestos de caridade, tanto a quem vive próximo de nós como a quem está longe, graças aos inúmeros organismos caritativos da Igreja. A Quaresma é um tempo propício para mostrar este interesse pelo outro, através de um sinal – mesmo pequeno, mas concreto – da nossa participação na humanidade que temos em comum.

E, em terceiro lugar, o sofrimento do próximo constitui um apelo à conversão, porque a necessidade do irmão recorda-me a fragilidade da minha vida, a minha dependência de Deus e dos irmãos. Se humildemente pedirmos a graça de Deus e aceitarmos os limites das nossas possibilidades, então confiaremos nas possibilidades infinitas que tem de reserva o amor de Deus. E poderemos resistir à tentação diabólica que nos leva a crer que podemos salvar-nos e salvar o mundo sozinhos.

Para superar a indiferença e as nossas pretensões de omnipotência, gostaria de pedir a todos para viverem este tempo de Quaresma como um percurso de formação do coração, a que nos convidava Bento XVI (Carta enc. Deus caritas est, 31). Ter um coração misericordioso não significa ter um coração débil. Quem quer ser misericordioso precisa de um coração forte, firme, fechado ao tentador mas aberto a Deus; um coração que se deixe impregnar pelo Espírito e levar pelos caminhos do amor que conduzem aos irmãos e irmãs; no fundo, um coração pobre, isto é, que conhece as suas limitações e se gasta pelo outro.

Por isso, amados irmãos e irmãs, nesta Quaresma desejo rezar convosco a Cristo: «Fac cor nostrum secundum cor tuum – Fazei o nosso coração semelhante ao vosso» (Súplica das Ladainhas ao Sagrado Coração de Jesus). Teremos assim um coração forte e misericordioso, vigilante e generoso, que não se deixa fechar em si mesmo nem cai na vertigem da globalização da indiferença.

Com estes votos, asseguro a minha oração por cada crente e cada comunidade eclesial para que percorram, frutuosamente, o itinerário quaresmal, enquanto, por minha vez, vos peço que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!

Vaticano, Festa de São Francisco de Assis, 4 de Outubro de 2014.

Francisco

sábado, 14 de fevereiro de 2015

D. Gilberto publica Nota Pastoral e pede sugestões para a renovação da Igreja diocesana nos 40 anos da sua criação




Nota Pastoral

Caro diocesano e irmão A nossa Diocese foi criada em 16 de Julho de 1975 e, como sabes, estamos a preparar este acontecimento ajudados por este lema:

 "Igreja de Setúbal, com Maria, alegra-te e evangeliza".

Desejo que este lema seja bem assumido por cada um de nós para nos envolver na celebração destes primeiros 40 anos de Diocese. Para isso, te envio esta Nota bem como a todos os diocesanos incluindo os baptizados não praticantes, pois que também fazem parte da Igreja. É um comentário breve a cada palavra do lema: "Igreja de Setúbal, com Maria alegra-te e evangeliza." Escrevo na véspera do “Dia dos Consagrados” em homenagem à sua presença e missão, na Diocese.

Diocese de Setúbal, chamada à alegria e à evangelização. Quem és?

• Sou o Povo de Deus que vive na Península de Setúbal. Reunido ao bispo que Deus me deu no Espírito Santo pelo Evangelho e a Eucaristia, constituo a Igreja particular onde está e actua a Igreja de Cristo una, santa, católica e apostólica. Não sou, por isso, uma simples divisão administrativa da Igreja Católica.

• Sou Povo de baptizados, nascido de Deus, que tem por cabeça Cristo, por alma o Espírito Santo, por condição a dignidade e a liberdade dos filhos de Deus, por lei o Amor de Cristo e por finalidade o Reino iniciado por Jesus e que será perfeito no Céu.

• Sou comunhão e sua fonte, em Deus Pai, Filho e Espírito Santo; sou a luz de Cristo para os povos; sou companhia do homem na busca da alegria e liberdade, incarnando suas alegrias, dores e esperanças. Sou povo santo em busca da santidade e carecido de conversão. Sou povo visível, fácil de fotografar e invisível que só na fé se conhece!

Irmão, a Igreja de Setúbal és tu, sou eu e todos os baptizados. Dá graças pela Igreja que és e revelas e torna-te o que és pelo baptismo.

Alegra-te, porquê?

Porque a par de muita pobreza e de cristãos não praticantes, tens imensas razões de alegria.

• Lembra a tua criação em 1975 por Paulo VI e a ordenação e o ministério de D. Manuel, nosso primeiro bispo; a organização da Cúria, Seminário e Paróquias; a edificação de igrejas, Centros Sociais, Caritas, Vale d'Acor...; a recepção do Cristo Rei e do Seminário; a ordenação de novos padres e diáconos; os consagrados...

• Lembra a catequese de adultos, as assembleias diocesanas, e a acção dos movimentos e obras.

• Lembra milhares de fiéis, muitos no Céu, que por Jesus têm servido a comunidade na palavra de Deus, na liturgia e na caridade...

• Lembra os casais que revelam a beleza da família cristã e os fiéis que testemunham Jesus Cristo numa cultura indiferente a Deus.

• Lembra Santa Maria da Graça, a nossa querida e solícita padroeira...
A memória destas e de muitas outras coisas permite saborear e fazer memória agradecida a Deus pelo Seu Amor imenso. Amor que nasce e culmina no dom total de Jesus morto e ressuscitado. D'Ele jorra vida e amor em abundância!

Evangeliza, Igreja de Setúbal.

 Evangelizar é envolver alguém no amor de Deus de modo que possa dizer com encanto: Deus ama-me e livra-me do pecado!

O desejo de partilhar o Amor de Deus, vem da alegria de O viver. Foi assim com Jesus: do Amor do Pai levava-O aos pobres e a enviar os discípulos a pregar o Evangelho. Foi assim no caminho de Emaús. É assim hoje: quem o vive quer oferecê-lo... Igreja de Setúbal, irmão, como vês em tantos sinais, estás envolto no Amor de Deus. Envolve nele os teus irmãos, com palavras e com obras apropriadas. Com o teu grupo e a tua paróquia, leva-lhes o Amor que dá sentido e encanto à vida. Há gente à espera. Não tardes.

Queres força para evangelizar?

Contempla na oração o Amor de Deus visível em tantas pessoas e acontecimentos da tua e nossa vida... Para isso, organiza o dia para teres tempo suficiente para rezar bem. E aceita o desafio seguinte:

Participa na Adoração Eucarística que vai unir a Diocese, durante 40 horas, em 12 e 13 de Março. Sairemos da Adoração de Jesus capazes de realizar gestos de ajuda fraterna que revelem o amor de Deus a nossos irmãos.

Alegramo-nos e evangelizamos, com Maria. Porquê e como?

Porque Jesus nos confiou a Ela na cruz e porque Ela é modelo da Igreja e de cada discípulo. Porque o final da nossa celebração coincide com a visita da Imagem Peregrina, em Outubro, à nossa Diocese, para preparar o centenário das Aparições de 1917. Porque contemplando a Virgem é mais fácil exultar de alegria, pois que nela Jesus se revela de forma única.

Alegramo-nos e evangelizamos, com Maria,

dizendo a Deus que nos chama: 'eis a serva do Senhor'; cantando, diante do amor de Deus: 'Magníficat'; acolhendo no coração, com o seu jeito, a Palavra; aproximando-nos dos pobres e dos pecadores para lhes dar Jesus Cristo; rezando e convertendo-nos do pecado como Ela pediu em Fátima.
Irmão, confio a Diocese à tua oração e ao teu sim generoso. Reza dia a dia a oração deste “ano jubilar” e conta com a minha oração para que a nossa Igreja se alegre e evangelize "com Maria".

01.02.2015
+ Gilberto, Bispo de Setúbal

P S. Dá esta nota a ler a pessoas que não vêm à missa. Comenta-a com elas e convida-as a darem o seu parecer para que a nossa Diocese leve à gente boa da nossa Península a alegria do amor de Deus. Convida-as também para a missa dominical.
Pensa num gesto que te propões, fazer – mesmo que pequeno vai ser muito importante! – para que alguém encontre paz e alegria e para que tu cresças em santidade.
 Além disso, pensa em algo que te pareça que se deva fazer para que a nossa Diocese seja mais e mais o rosto de Cristo e envia a tua sugestão para: bispodesetubal@sapo.pt ou para Bispo de Setúbal- Casa Episcopal Largo S. Domingos 2910-092 Setúbal

 Anota na tua agenda a tarde de 16 de Julho e o dia 25 de Outubro deste ano.

Obrigado